Monday, May 4, 2020

R.I.P.: Mario Castro-Neves (1935-2020)

R.I.P.: Mario Castro-Neves -- a brilliant Brazilian pianist, arranger, composer and band-leader born in Rio de Janeiro on November 12, 1935 -- just passed away this afternoon, May 4, 2020 in his home in Plainsboro, New Jersey, USA. I had the honor to work with him in several occasions, having produced his last album, "On A Clear Bossa Day," recorded for my JSR label in 2004.

Mario dedicated to me a song titled "Someday," that he recorded with Ithamara Koorax on her "Love Dance" album for JSR/Milestone Records. That led to sold-out performances at both Mistura Fina and Partitura jazz clubs in Rio.

I have also produced (in 2001) the first official CD reissues in Brazil and abroad of his debut album as a leader, "Mario Castro-Neves & Samba S.A.", recorded for RCA in 1967. Besides other brilliant solo albums for Decca and CTL labels, Mario worked with Tito Madi, Wilson Simonal, Elza Soares, Tony Camillo, Angel Sessions, L.J. Reynolds, Carmen McRae and Pat Martino, had his songs recorded by Doris Monteiro and Rosa Maria, did albums with groups like Musicanossa and Turma da Pilantragem, formed his combo Jovem Brasa (an amazing fusion of bossa nova and the Brazilian rock style known as "jovem guarda"), and led his own orchestras in England and Canada (two countries on which he lived for many years before relocating to the USA), where he was a teacher at the Princeton University during the 80s. In that same decade, he led his jazz quintet Subtle Chemistry.

During the 90s he concentrated on his work as producer and keyboard programmer at TC Studios in Hillsboro, New Jersey, recording for the Volt label with soul music, funk and hip hop artists such as Angel Sessions, L.J. Reynolds, The Dramatics and rapper Kenne Davis.

Mario was the older brother of guitarist Oscar Castro-Neves, bassist Iko, drummer Leo, clarinetist Zeca (all deceased) and singer Pepê Castro-Neves.

I was introduced to Mario's unique style through radio DJ Simon Khoury who gave a lot of airplay to a track, "Helena And I", from his 1973 album "Brazilian Mood," produced by Franlyn Boyd for Decca Records. Three decades later, I was able not only to include that same recording of "Helena & I" on a compilation I produced for Verve ("A Trip To Brazil Vol.2: Bossa & Beyond") as well as to record a new version of that stunning song for "On A Clear Bossa Day." Another highlight of his final album was "Mamadeira Atonal," an iconic song written in 1955 with Ronaldo Boscoli.

Among the members of Mario's Samba S.A. bands were Novelli, Normando, Thais do Amaral, Biba, Manuel Gusmão, Cesar Machado, Ithamara Koorax and Ana Zinger. He also played with Paula Faour, Jorge Pescara, Enio Santos, Cesar Machado, Memo Acevedo, Ken Ramm and Gary Morgan.

As I wrote on the notes for the "On A Clear Bossa Day" CD: "His superb orchestrations on that masterpiece album Brazilian Mood would be enough to place Mario Castro-Neves among the best arrangers in the music history, alongside Sebesky, Ogerman, Mancini, Legrand, Schifrin, Mandel, Gil Evans, Deodato and Gaya."

He is survived by his wife Mara, one brother (Pepê), one sister (Maria Lina), two daughters (Lili and Andrea), and one son (Mario Castro-Neves Filho).
My condolences to all his family.
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Gênio que antecipou e transcendeu a bossa-nova, Mario Castro-Neves – o brilhante pianista, arranjador, compositor e band-leader nascido no Rio de Janeiro em 12 de novembro de 1935 – faleceu nesta tarde, 4 de maio de 2020, em sua casa em Plainsboro, Nova Jersey (EUA), aos 84 anos. Tive a honra de trabalhar com ele em várias ocasiões, tendo produzido seu último álbum, “On A Clear Bossa Day”, registrado para minha gravadora JSR em 2004.

Mario me dedicou uma música intitulada “Someday”, que ele gravou em 2002 com Ithamara Koorax no álbum “Love Dance,” lançado pela Milestone Records. Por conta do sucesso da música, Mario realizou apresentações com lotação esgotada, ao lado da cantora, nas casas noturnas Mistura Fina e Partitura, no Rio.

Também produzi (em 2001, para a BMG) o primeiro relançamento oficial em CD, no Brasil e no exterior, de seu álbum de estréia como líder, “Mario Castro-Neves & Samba SA”, gravado para a RCA em 1967, com brilhantes recriações de músicas de Antonio Carlos Jobim, João Donato, Moacir Santos, Dorival Caymmi e Chico Buarque. Incluí algumas dessas faixas nas compilações “Focus On Bossa Nova” e “Focus On Brazilian Music Grooves”, lançadas na Europa e Japão. "Candomblé", de Danilo Caymmi & Edmundo Souto, tornou-se um grande sucesso nas pistas de dança na Europa.

Além de outros brilhantes álbuns para os selos Decca e Canadian Talent Library, Mario trabalhou com Tito Madi, Elza Soares, Wilson Simonal, Tony Camillo, Carmen McRae e Pat Martino, teve músicas gravadas por Doris Monteiro, Rosa Maria e Ithamara Koorax, lançou discos com grupos como Musicanossa e Turma da Pilantragem, criou a banda Jovem Brasa (dedicada à uma inusitada fusão entre Jovem Guarda e Bossa Nova), e ainda formou suas próprias orquestras na Inglaterra e no Canadá, dois países em que viveu antes de se mudar para os EUA em 1977, onde lecionou na Universidade de Princeton. Sua gravação de “Summersoft” (Stevie Wonder) ganhou o status de cult-hit na cena internacional do acid-jazz.

Tornei-me, aos 10 anos de idade, um grande fã do estilo único de Mario graças ao radialista Simon Khoury, que tocava bastante na JB-AM a faixa “Helena And I”, do álbum “Brazilian Mood” (1973). Três décadas depois, pude não apenas incluir a mesma fascinante gravação de “Helena And I” em uma compilação que produzi para Verve (“A Trip To Brazil Vol.2: Bossa & Beyond”), bem como gravar uma nova versão daquele tema sofisticadíssimo para o álbum “On A Clear Bossa Day”.
Outro destaque daquele que agora se tornou seu último CD foi “Mamadeira Atonal”, uma música icônica escrita em 1955 com Ronaldo Bôscoli e que absurdamente permaneceu inédita em disco até 2004.

Entre os membros de seu lendário grupo Samba S.A. estavam Novelli, Normando, Thais do Amaral, Biba (na primeira formação), Manuel Gusmão, Cesar Machado, Ithamara Koorax e Ana Zinger. Também tocou com Paula Faour, Jorge Pescara, Enio Santos, Memo Acevedo, Gary Morgan e Pat Martino. No final dos anos 90, enveredou pelo funk e hip-hop, gravando para o selo Volt com Angel Sessions, L.J. Reynolds, o grupo The Dramatics e o rapper Kenne Davis.

Como escrevi no encarte do CD “On A Clear Bossa Day”: “Seu excelente trabalho de orquestração no álbum Brazilian Mood seria suficientes para colocar Mario Castro-Neves entre os melhores arranjadores da história da música, ao lado de Sebesky, Ogerman, Mancini, Legrand, Schifrin, Mandel, Gil Evans, Deodato e Gaya.

Mario era o irmão mais velho do violonista Oscar Castro-Neves, do baixista Iko, do baterista Leo, do clarinetista Zeca (todos já falecidos) e do cantor Pepê Castro-Neves.
Ele deixa sua esposa Mara, seus irmãos Pepê e Maria Lina, suas filhas Lili e Andrea, e seu filho Mario Castro-Neves Filho.